domingo, 21 de outubro de 2012

A realidade de uma expectativa







Um dia você chega cansada demais do trabalho e cancela o happy hour. Ou, você recebe um convite inesperado e muda completamente os planos. Um dia, você está ocupado e não retorna a ligação. Você deixa o chopp para o final de semana e viaja. Um dia, você percebe que vida tomou outro rumo.

Engraçado como a gente fica esperando que coisas extraordinárias aconteçam. Ficamos confabulando histórias, medindo ações e fantasiando diálogos para ter a certeza de que se irá fazer a coisa certa no momento certo. Momento que talvez esteja ansioso para aparecer na sua vida, numa quarta-feira qualquer só para ter certeza que você irá ignorar completamente porque está cansada demais da academia.

As melhores coisas da vida não são planejadas. A festa que você nem estava querendo ir pode se tornar uma noite inesquecível ou aquela pessoa que você nunca havia notado pode, de repente, não sair da sua cabeça. 

As pessoas tentam não acreditar em destino. Seria tudo fácil demais se simplesmente tudo acontecesse na hora certa, sem qualquer esforço. Mas acreditar em coincidência seria conspirar contra o universo, descartando seu poder cósmico de influenciar a vida das pessoas. Meros mortais.

Vejo a surpresa das pessoas ao abrirem o facebook, ver uma atualização e pensar: “Como? Quando isso aconteceu? Eu estava lá, não estava?”. De repente, se sentem inúteis repassando cada evento ocasional e percebem todas as vezes que, teoricamente, estavam no lugar errado. Ou esse seria o destino agindo para que elas seguissem o caminho certo?

Houve uma vez, num sábado à noite, quando todos tinham planos, eu estava sozinha. Recebi duas ligações e recusei. E numa terceira, um comentário me pareceu intrigante: “Você está em casa, o que tem a perder?”. Eu saí pra uma noite que mudaria totalmente a minha vida nos próximos anos.

Um tempo depois, quando um amigo perguntou: “Vem cá, de onde você surgiu?”, eu tive a certeza de que eu havia sido um acaso, um imprevisto por alguém não querer sair, o extraordinário de um dia qualquer. A vida simplesmente tinha acontecido. E um dia qualquer, ela vai se repetir.

terça-feira, 23 de março de 2010

Se fosse ela...



Se você soubesse que ela aceitaria o seu convite, você ligaria?
Aposto que ligaria se tivesse plena certeza que esse convite terminaria com um dos melhores beijos que já provou até hoje.
Mas, se você soubesse que ainda iria querer sair com ela nos próximos dias, você ligaria?
E se esses dias virassem semanas, meses, anos. Como você se sentiria?
Você ainda gostaria de ter ligado se soubesse que jamais iria querer ouvir outra voz antes de dormir?
Se soubesse que sua respiração ficaria falha sempre que a ouvisse dizer “precisamos conversar”?
Será que você teria tido coragem de ligar se soubesse que ela era tão divertida? Que não havia sorriso mais lindo do mundo do que aquele após um "eu te amo"?
Você não teria ido em frente. Garanto!
Garanto que teria resistido bravamente se soubesse que ela poderia ser a última mulher da sua vida. Aquela por quem você seria capaz de sofrer todas as dores do mundo só para que ela não derramasse uma única lágrima.
Não... Você não ligaria.
Não se importar com o lugar que estivesse desde que fosse com ela? Inimaginável!
Você ligaria se soubesse que ela diria sim? Não só para aquele beijo, mas para o resto de suas vidas?
Definitivamente, talvez você quisesse, mas não ligaria.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ciúmes de você?



Eu tenho certeza que os ciúmes é um sentimento criado pelo demônio. CER-TE-ZA!
Oras, quem mais adora ver as pessoas raivosas, com ódio no coração e disparando veneno para todos os lados? Disse todos os lados? Ok! Ok! Não para todos os lados, até porque precisamos concentrar a dose para garantir que a pessoa que provocou a nossa ira morra – senão ela, morre você, o seu relacionamento e tudo de bom que você levou dias, semanas, meses, anos plantando. Que morra ela, então!

Percebeu? É isso que acontece quando você, mocinha, resolve dizer ao seu amigo o quanto ele é lindo, maravilhoso, o “amor da sua vida”, um “Guti-Guti”. É esse sentimento maldito que você irá despertar, e para o inferno que vocês se conhecem desde a época em que os meninos não gostavam das meninas. Hoje eles gostam, ok? E muito! Disse MUITO! Favor não chegar muito perto! Obrigada!

Sinceramente, eu realmente acredito que existe amizade entre homens e mulheres. Eu mesma defendo com unhas e dentes as minhas amizades masculinas e, apesar de não ter a menor intenção de pegá-los novamente, tenho plena consciência que sou minoria nesse universo.

A questão é a seguinte:

Sempre que eu digo a alguém que um dos meus melhores amigos é homem, logo recebo aqueles olhares desconfiados e não demora me perguntarem: “vocês já ficaram?”

“Não!”
“Então, dá mole para ele para você ver se ele não te pega!”
“Qual o seu problema? Ele é meu amigo! Eu não vou dar mole para o meu amigo!”
“Mas, se der, ele pega.”

Bom, eu sei que não vou dar mole para o meu amigo. Eu confio em mim. Agora, quem me garante que as amiguinhas do meu/seu/nosso (ui, delícia!) peguete/namorado/noivo/marido/amante, wherever, fará o mesmo? Exatamente! Ninguém!

E mulher quando resolve ser competitiva... voticontá... Cobras! Vacas! Gremlins! Se bobear, elas dão em cima do carinha bem debaixo do seu nariz, só para provar que se elas quiserem, você dança. Sabe o que é ainda pior? Fazem isso por pura diversão, apenas pelo prazer do jogo. É maquiavélico!

É só você pensar em quantas mulheres tiveram o desprazer de ver os seus ex ficando/namorando com alguma mocinha que dizia ser sua amiga. Ou, pior, que dizia ser amiga dele. Aquela que ele desdenhava dizendo que não achava interessante. E você, gata, acreditou!

Se você quer saber, sou ciumenta. Minha única e tênue ligação com o inferno. Nunca tive dom para ser Santa mesmo. Viver na desconfiança pode até ser um tormento, mas não vou entregar o meu paraíso de bandeja para uma diaba qualquer.


segunda-feira, 1 de março de 2010

Ai, se o dinheiro desse...

Todo mundo tem um amigo rico. Se não rico “de rico mesmo”, pelo menos com condições financeiras mais vantajosas que a sua. E na maioria das vezes, você convive muito bem com essa pessoa. Vocês não podem sempre tirar férias juntos porque ela está sempre viajando para algum lugar fora do País, gastando em Euro, enquanto você, pobre trabalhador, economiza até no almoço para ver se sobra algum para o cinema.

Até aí, tudo bem. Você entende que a vida não é justa com todos e, claro, tem sempre alguém mais fodido que você. De qualquer forma, o cartão de crédito está aí para todos e viajar ficou uma moleza com as superpromoções em 36 vezes à juros módicos (cof cof).

Mas, às vezes, essa diferença é tão gritante que fica impossível fingir naturalidade e você começa a se perguntar: por quê não eu?

Dia desses, um amigo tirou férias e foi para Aspen esquiar, claro que na volta ele teve que passar por Nova York para fazer umas compras. Pouco menos de 3 semanas em terras brasileiras, ele decidiu ir com "a galera” passar o Carnaval em Cancun porque estavam cansados de ir para Salvador todo santo ano.


Pobre do meu cofre que depende das minhas economias para sobreviver...

Minha avó sempre dizia que pai pobre é destino, já marido pobre é burrice. Contudo, nas atuais conjecturas, arrumar um marido rico é mais difícil que acertar na loteria. Logo, sua segunda opção é trabalhar e conquistar a sua pequena fortuna.

E, então, você tem que rezar para não cair na sua própria armadilha ou, no meu caso, no teste vocacional.

Eu ainda me pergunto que merda eu comia para ter escolhido ser publicitária. Justamente eu que acho, sinceramente, que dinheiro pode sim abrir muitas portas, inclusive da felicidade, escolhi a profissão onde você tem que amar muito o que faz para fazer semi de graça.

Obviamente, eu imaginava que fazer uma carreira de sucesso não seria tão fácil quanto sentar no pudim, mas o que eu não desconfiava era que, em alguns casos, a profissão poderia simplesmente estar desvalorizada e, nesse caso, não existe competência capaz de fazer você ganhar um salário de 5 dígitos.

Anyaway, decidi que vou começar a apostar na Mega Sena, na Loto, no jogo do Bicho, na raspadinha... Quem sabe eu não tenha mais sorte com jogos de azar?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

As velhas novas resoluções de Ano Novo


2010 começou com mudanças.
Ao contrário de 2009 que foi um ano totalmente entregue à reorganização, 2010 será o ano de pouca inspiração e muita transpiração.

Comecei o ano fazendo, literalmente, planos para os próximos 5 anos. Nada de sonhos impossíveis, na verdade, foi só uma lista com tudo que eu realmente desejo para a minha vida. Algumas coisas sei que só dependerão de mim e do meu foco, outras, porém, terei que contar com a ajuda do Divino destino.

Em todo caso, eu sabia que se continuasse fazendo as mesmas coisas que sempre fiz, jamais chegaria a um resultado diferente. Então, à minha reorganização acrescentei muita imaginação.

Reveillon foi com os velhos amigos, muito queridos e todos casados. “5 casais e uma avulsa”. Nome de filme, né?! Pois é, comédia pastelão e sem direito a fins dramáticos. Confesso que achei que não daria conta do recado e, em algum momento, eu iria chutar o balde e parar em Salvador, mas eu passei linda, loira e sorridente, fazendo piada com minha própria condição e me diverti horrores! Rá!

Entramos o ano, literalmente, em uma encruzilhada. O quê? Azar? Pra quem não sabe quais caminhos seguir, talvez. Para mim, foi uma inspiração. Comecei a perceber que as oportunidades sempre existiram, eu que não me sentia pronta ou disposta a agarrá-las. Na maioria das vezes, era eu a minha principal rival, sempre me autosabotando.

Voltei para casa reavaliando todos os meus conceitos. Entendi que eu nunca havia sido livre porque tinha medo de ganhar asas. Com audácia, ri dos meus medos e da minha insegurança. E não é incrível como a vida conspira sempre ao nosso favor?

- “Se joga! O que você tem a perder?”

Eu não sei porque confiei tanto, mas a verdade é que essas palavras chegaram infringindo todas as regras, libertando antigos sonhos, prendendo a coragem para que ela não saísse correndo como uma fugitiva.

Sinto que acabo de descobrir uma porta para o infinito. E diante tantos caminhos, eu não me sinto perdida. Sei que haverão obstáculos que me tentarão a desistir, e me preparo para isso. Entro em 2010 com a determinação de um guerreiro: espada afiada, coração satisfeito, Fé incendiando a alma.

Estou certa de que não podemos ter controle do nosso destino, o que não impede que eu contribua aceitando as batalhas que a vida oferece. Só é possível alcançar a vitória, encarando o desafio. Atalhos são para os fracos. Eu quero a jornada inteira!


Esse deveria ter sido o post do início de Janeiro, mas como dizem que o Ano só começa depois do Carnaval, acho que ainda está valendo! ;-)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Exerça seu direito de ser feliz

Você tem o direito de ser feliz.
E isso não é uma Lei prevista nos Atos da Constituição. É a Lei da vida.
A felicidade é uma prática que você deve exercitar diariamente.
Comece com movimentos simples: espreguice ao acordar, sorria ao desejar um bom dia, almoce com pessoas que lhe tem apreço, dê um abraço sincero ao encontrar alguém que seja importante para você.
Aos poucos, você se sentirá mais seguro e confiante.
Conquiste o direito de ser ouvido e respeite a opinião dos outros. Lembre-se que a verdade não é absoluta e, às vezes, ter razão é indiferente.
Proteja o seu corpo. Não viole o direito que ele tem de ser saudável. Você precisa dele para usufruir o que a vida tem de melhor, então, alimente-se bem e faça algum exercício físico.
Defenda a sua liberdade, mas não faça disso uma desculpa para ser arrogante ou violento. Defender a liberdade é só uma forma de aproveitar a vida sem preconceitos.
Ria, chore, dance, cante. Ame. Perdoe.
Não deixe uma discussão passar de uma discussão.
Encare a vida com a coragem de uma criança, a paixão de um adolescente, a seriedade de um adulto e experiência de um idoso.
A vida vale a pena para quem não espera pela felicidade, mas busca por ela todos os dias.

(Ariane Pimentel)


*Escrevi esse texto para mensagem de Fim de Ano do Procon/ES . A versão veiculada é um pouco mais resumida, então, achei que valeria a pena postá-lo na íntegra!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Tempo pra ter tempo



Eu lembro quando minha única prioridade era ele. E como o meu dia só começava quando a janela do MSN piscava e eu recebia o meu “Bom Dia, gatona!”. Não é engraçado como, às vezes, a vida ganha sentido com tão pouco? Basta querermos tanto alguma coisa que simplesmente não precisamos de nenhuma outra.

Foi uma das épocas mais fodidas de maior perrengue da minha vida, mas não importava se fazia sol ou se eu tinha estourado os meus 3 cartões de crédito e o único dia do mês em que a minha conta não estava no vermelho era no dia do pagamento, eu acordava e dormia sorrindo. Dia desses, conversando com um amigo, ele me perguntou o que ele tinha de tão especial, e eu respondi:

- Na verdade, não era o que ele tinha, mas o que ele me dava: tempo.

Não é inacreditável como as pessoas nunca têm tempo para elas? Estão sempre ocupadas trabalhando, pagando contas, resolvendo problemas e se desculpando por não terem tempo suficiente para viverem e, então, alguém lhe dá o que ninguém tem, tempo!

Tempo para prestar atenção nas roupas que você veste, descobrir a cor dos seus olhos, saber a sua comida preferida, entender o seu trabalho, ouvir as suas histórias. Tempo para enxergar o que você é.

Ele me deu tanto tempo que quando não teve mais tempo para mim, eu já sabia ver o meu próprio tempo. Comecei a não exigir tanto da felicidade, mas aproveitar o suficiente de cada momento, sem me importar se seriam longos ou curtos, desde que fossem únicos.

Hoje, eu me lembro de quanto do meu tempo eu dei a ele, e mesmo que ele não faça mais parte da minha vida, estará comigo pra sempre. Porque eterno não é a sua presença, mas o aprendizado que ele me trouxe.

Certamente, ele não foi o homem da minha vida. É como diz aquele velho ditado: “Ninguém entra em nossa vida por acaso”. Sempre nos trazem algo que precisamos aprender e levam algo que já não nos servem mais. Esse é o ciclo da vida. É a renovação que nos permite crescer e, principalmente, aceitar o risco de fazer a vida valer a pena.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Então, é Natal!


Finais de ano são irritantes! Eu até acho bonitinho o clima de Natal, as expectativas pela chegada de um novo ano (aliás, preciso combinar o meu Reveillon. Oi, me convida?), as confraternizações e um mundo feliz para sempre, fim! Mas, até chegar a esse período, você precisa enfrentar shoppings lotados, bancos lotados, ruas lotadas e um mês inteirinho de propagandas ridículas que tentam fazer você acreditar na magia de um Natal com flocos de Neve. Oi, verão ainda não chegou e estamos beirando aos 34˚C.

Não estou mal-humorada. Eu só acho que não é preciso tanto estardalhaço para comemorar uma festa que, teoricamente, deveria ser mais religiosa do que comercial. Todo mundo fala em paz, luz, amor, união e mimimimimi, desde que acompanhado por um lindo embrulho. Isso sem mencionar as reuniões familiares. Não é por nada, mas quantas pessoas vocês conhecem que de-tes-tam seus parentes, mas se sentem na obrigação de fingir que as desavenças acabaram só porque é Natal? Santa Hipocrisia, tende piedade de mim, amém!

E pra quê todas aquelas promessas? Quer fazer a diferença na sua vida? Mude! A qualquer hora, a qualquer momento, hoje, agora, já! Precisa de um primeiro de ano qualquer para fazer isso? O maior estímulo que você pode ter é a sua própria vontade de mudar.

Vamos parar com todas essas apologias de fim de ano. Vá cuidar da sua vida e esqueça as mágoas, os rancores, as traições. Você não é perfeito, provavelmente, também já magoou alguém, ofendeu ou traiu. Perdoar é um exercício que deve ser praticado constantemente, não está relacionado a datas comemorativas. Reúna-se às pessoas que você mais ama e faça questão de mostrar isso a elas, não porque é feriado nacional, mas porque você nunca saberá quando elas ainda estarão lá. E presenteie! Presenteie com amor, com admiração, com respeito. O maior presente que alguém pode receber de você é a sua consideração e a única coisa que você deve esperar é um sorriso. Não há no mundo algo que se equipare ao sentimento de ser o “responsável” por promover a felicidade de alguém, mesmo que momentânea.

Bom, mesmo, seria se esse sentimento de boa vontade que impera entre o Natal e o Ano Novo também estivesse presente na vida das pessoas entre o Ano Novo e o Natal. Sem fingimentos, sem prerrogativas, sem tanta maldade.

Esses são os meus sinceros votos de um Feliz Natal!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Escolhendo uma profissão


Eu tinha 17 anos, e uma decisão que influenciaria toda minha vida: “O que eu vou ser quando eu crescer?”

O teste vocacional me incentivava a apostar nas Ciências Humanas. O meu pai, nas Biomédicas. E eu só tinha a certeza de não queria nada relacionado a Exatas. Lembro que durante todo aquele ano, eu optava por um novo curso a cada 3 meses: de janeiro a março, eu quis ser Psicóloga; de abril a junho, meu sonho era a Fonoaudiologia; de julho a setembro, fiquei apaixonada pela Arquitetura; e quando finalmente chegou a época das inscrições, optei pela Publicidade.

Eu fazia questão de discutir com meus pais os prós e contras de cada profissão. Não esperava pela aprovação deles, mas queria que tivessem orgulho da minha escolha e, claro, me orientassem para que eu fosse capaz de fazer a melhor.

Rá! Você acreditou, né?! Mas, sinto desapontar, eu até era boazinha, mas nunca fui exemplo de nada. Claro que eu não ouvi meus pais! Que aborrecente faria isso? Dãããããããããããããã!

Meu pai ainda “vivia” na época que para ser considerado “bem-sucedido” era preciso um Dr. ou Drª. antecedendo o seu nome em um cartão de visitas. Aquela visão antiquada me irritava, ainda mais quando ele ousava me comparar com minha prima que havia escolhido Odontologia, provocando discussões calorosas sobre minha opção e, obviamente, reforçando-a ainda mais.


A chatice dos adultos... Ninguém aguenta tanto Nhé Nhé Nhé!

Na sua última tentativa de me fazer investir na carreira de Publicitária, meu pai veio com o argumento de que a profissão estava bastante desvalorizada no meu estado, os salários eram baixos e a expectativa, muito pouco promissora. Nesse momento, eu enchi os olhos de lágrimas e disse:

- Assim como existem Publicitários que não ganham uma pequena fortuna mensalmente, existem médicos que mal conseguem sobreviver aos plantões. Existem advogados vendendo cachorro-quente e fisioterapeutas aceitando uma remuneração de R$500,00/mês para terem o direito de exercer sua profissão. Eu acredito que por mais saturado que o mercado esteja, sempre haverá espaço para os bons, quem dirá, para os melhores. E eu só serei boa no que faço se estiver feliz ao fazer.

Venci pelo cansaço. Fiz minha inscrição no curso de Comunicação Social em uma famosa faculdade do meu estado, fui aprovada no vestibular, estudei com afinco, estagiei e consegui um contrato quando ainda estava no 5˚ Período. Era o primeiro passo para um longo e glorioso futuro.

Três anos se passaram. Sentados à mesa de café da manhã, em uma das tradicionais reuniões na casa da minha avó, chegamos a polêmica discussão sobre carreiras. O foco, agora, eram as decisões profissionais que a 2˚ geração da família logo teriam que enfrentar. Só que, desta vez, havia exemplos práticos para oferecer. E quem fez as honras foi o meu pai:

- Eu disse para Nanynha ser doutora. Olha aí, as três se formaram no mesmo ano: a Popo é dentista, já está com consultório montado e carro do ano. A Rose é farmacêutica, já sustenta a casa e ainda paga a escola da irmã. E Nanynha, é o quê?

- Uai, Pai, eu sou feliz!


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

As orelhas que me pesam


Já tive ângulos melhores...

Eu não sou do tipo que acredita em contos de fadas. Na maioria das vezes, não me arrisco sem estar ciente que dou conta de encarar a situação. Mas, excesso de confiança e um par de olhos verdes fizeram todas as minhas convicções parecerem utopia.

Há tempos eu não conhecia ninguém que despertasse a minha atenção. Eu já tinha até desistido dessa história de me apaixonar e ser feliz para sempre. Estava começando a avaliar as opções que me sobrava e tinha decidido que me tornar uma workaholic era a alternativa mais apropriada. Até que um cafa daqueles simplesmente rouba todos os meus planos e me deixa na saudade, literalmente.

Caí na tentação consciente de que seria apenas uma noite muita divertida. E foi. E eu comecei a desconfiar que tinha sido vítima da minha própria armadilha quando eu acordei lembrando do seu beijo docemente ardente. Mantive a calma e pensei: ok! foi bom e é natural que eu leve algumas horas para abstrair a história.

Mais tarde, quando fui lavar a roupa que havia vestido, um sorriso me despertou para um terrível pesadelo ao perceber que a blusa ainda tinha o cheiro dele. Epa, Epa, EPA! Sinal vermelho ligado e um letreiro gigante escrito PERIGO começa a piscar bem a minha frente.

Mas, eu logo pensei que estava me preocupando demais. Afinal, cafas não ligam no dia seguinte, não mandam sinais de fumaça em menos de uma semana (quando mandam) e, definitivamente, eu estava em um terreno seguro. Mas, eis que a vida é uma caixinha de surpresas... E quando a gente menos espera, chega um torpedo.

Já almoçou?
Estava esperando um convite... ;-)

Acabei de acordar, passo aí em 30 min. Bjo.


E ao invés de dar pulinhos de alegria, entrei em pânico e repassando cada detalhe da noite anterior, fiquei imaginando o que eu havia feito para aquele cidadão querer sair comigo de novo. É caros leitores, tenho a autoestima do tamanho de uma ervilha. Não sei o que eu fiz de certo (ou de errado), mas a verdade é que os torpedos chegavam quase todos os dias, e os fins de semana eram preenchidos por uma euforia devastadora. Quase apaixonante.

Foi, então, que para ser esperta, eu tomei a atitude mais burra já constatada no universo das comedoras de capim: eu me afastei... por medo! Eu simplesmente tinha a convicção de que aquilo era perfeito demais para ser verdade e não quis arriscar. Estava tão segura de que estava pisando descalça em brasa quente que não havia a menor possibilidade de eu sair daquela situação sem me machucar.

Sim, fui covarde. Tive medo de me envolver, daquilo virar um relacionamento, e não porque não quisesse um, mas por não estar segura que isso me faria bem.

Foi difícil lidar com essa (inusitada) situação. Eu só conseguia pensar em como seria maravilhoso se eu tivesse passado mais tempo com ele, como eu precisava sentir tudo aquilo novamente, em como eu adorava a forma como ele me olhava, o jeito sutil com que me acariciava, as bobeiras que a gente compartilhava... E como eu ficaria se eu pudesse... se ele quisesse... se desse...

Mas, eu ainda carrego as orelhas que não me deixam esquecer que “Mulé é um bicho burro mermo” e enquanto capim não virar caviar eu vou continuar pastando.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Em nome do amor?!

Dia desses, lendo as notícias, eu fiquei estarrecida com duas notícias intituladas, indevidamente, como “Prova de Amor”, como se fosse possível provar o amor de alguém. Talvez por isso chamam essas provas de loucuras, afinal, só sendo insano para cometer barbaridades em nome do amor.

No primeiro caso, uma mulher de 39 anos fugiu com um homem que tinha acabado de conhecer, literalmente, para viver sua grande história de amor. Além dessa jovem senhora ter deixado a família desesperada por 5 dias devido ao seu sumiço, ela teve a disparidade de dizer que para viver ao lado do “homem da sua vida” valia qualquer coisa.

O “homem da vida” dessa mulher era um assassino com quem ela havia flertado por alguns minutos na estação de metrô. 7 dias depois de terem trocado o primeiro beijo, ela concluiu que ele era mais importante do que sua filha, família, emprego, casa e carro. Abandonou tudo por alguém que disse o que ela queria ouvir.

Sinceramente, eu acho possível se apaixonar em um primeiro olhar, mas acreditar em “amor bandido”? Será que ela pensou que poderia ser personagem de uma das novelas de Manuel Carlos? Será que ela andava tão carente a ponto de confiar sua vida a um estranho? Será que o amor exige esse tipo de risco?

O segundo caso me deixou ainda mais perplexa. Uma mulher traída pelo seu marido impôs como condição do seu perdão a morte da amante. E foi assim que uma moça de 24 anos perdeu a vida. Não estou defendendo a traição, nem me interessa as razões que os levaram a manter um relacionamento, não estou aqui para julgá-los, mas a morte não é uma pena severa demais para uma pessoa que cometeu o erro de se envolver com um homem casado?

E por que ela teve que morrer quando era ele quem tinha um compromisso? Oras, eu já fui traída e sei que no fundo queremos culpar a outra (detesto essa conotação) pela traição do nosso parceiro, mas, francamente, se ele realmente amasse sua mulher teria dito: “sinto muito, mas eu amo minha esposa e não vou magoá-la”.

Tenho medo quando penso do que as pessoas são capazes, principalmente, quando dizem que é “por amor”. O amor não mata, não condena, não machuca. Pelo contrário, o amor perdoa, protege, cuida. Amor é incondicional, não vem atrelado a provas. O amor é doação e não submissão. É estima e não covardia.

Para ser amado, você primeiro precisa se amar. Se olhar no espelho e enxergar o quanto você é única(o) e especial, e se quem está ao seu lado não é capaz de reconhecer isso, então, você também não deveria amá-lo. O amor não vem do outro, está dentro de nós, é por isso que somos capazes de amar qualquer pessoa, a qualquer momento, desde que você se permita a isso.

Como dizia o poeta, "você não pode exigir o amor de ninguém, apenas pode dar boas razões para que o amem. Só porque alguém não te ame como você gostaria não significa que não te ame com tudo que pode", então, não exija provas e não acredite quando alguém diz que pode dá-las a você. O princípio do amor é a confiança, se você já perdeu, não pode perder mais nada.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conto de Fadas da Vida Moderna



Assistindo a novela de Manuel Carlos, Viver a Vida, eu fico imaginando se é possível existir uma mulher com tanta sorte quanto a Helena. Mulher forte, segura, bem-sucedida, que se apaixona por um homem milionário, lindo, gentil, inteligente e, sem quaisquer dificuldades, ela o conquista, casa e vai passar a Lua de Mel em Paris.

É ou não é o Conto de Fadas da vida moderna?

Tudo tão simples que, sinceramente, me senti vivendo em um mundo paralelo. E vindo de mim, isso pode parecer um pouco cínico, afinal, eu sempre fui muito amada, sempre tive boa vida, conquistei uma carreira, tenho sim problemas como qualquer mortal, mas supero todos eles usando um salto 15cm, sorry. O que eu quero dizer é que se para mim aquele mundo encantado vivido por todas as "Helenas" de Manuel Carlos parece algo surreal, imagina para os mais de 170 milhões de brasileiros que vivem com um salário mínimo?

As verdadeiras Helenas: uma vida regrada a muito trabalho,
sofrimento e o sustento da família com 1 salário mínimo/mês.

Eu até entendo o fascínio que as novelas exercem nos telespectadores pelo seu caráter lúdico, afinal, estamos falando de entretenimento. Mas, a cena em que a Luciana, filha do Galã, recebe como presente de aniversário um anel de R$45.000 só porque estava meio brigada com o pai foi um insulto a mais da metade da população brasileira que se enquadra na condição de Classe Média. Gente, estou falando de uma novela em que o núcleo “pobre” reside em Búzios!

Adoro novelas. Assisto sempre que posso, gosto de discutí-las, torço pelos personagens, sofro com seus dilemas e sempre me decepciono com os finais nada surpreendentes (fato!), e por esses motivos posso dizer que “Viver a Vida” tem a audiência digna de uma verba milionária, mas o seu conteúdo parece ter sido retirado de um desses romances vendidos em banca de rodoviária.

Contexto pobre, diálogos fúteis e uma sessão de capítulos que nada acrescentam à trama, passando a quilômetros de distância do objetivo principal que, ao meu entender, deveria mostrar às pessoas que é possível ser feliz e viver intensamente se houver coragem para superar suas limitações.

Desculpe, Manuel Carlos, eu sou apenas uma cidadã que como milhares de outras doam 1 hora de suas vidas para ficar em frente a televisão, na tentativa desesperada de encontrar uma programação de qualidade, e o mínimo que o senhor poderia fazer por nós é nos agraciar com uma história envolvente, sim, mas que não subestime tanto a nossa inteligência.

Enquanto isso não acontece, eu irei preferir a companhia de um bom livro.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A beleza é o princípio do caos


O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen. Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí-lo. O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado.

“Vou apresentar um problema”, disse o Grande Mestre. “E aquele que o resolver primeiro, será o novo Guardião do templo”.

Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala. Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo. “Eis o problema”, disse o Grande Mestre.

Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viam: os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. O que representava aquilo? O que fazer? Qual seria o enigma?

Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos a sua volta. Depois, caminhou resolutamente até o vaso, e atirou-o no chão, destruindo-o.

“Você é o novo Guardião”, disse o Grande Mestre para o aluno. Assim que ele voltou ao seu lugar, explicou: “Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema. Não importa quão belo e fascinante seja, um problema tem que ser eliminado”.

“Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado - mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto”, disse. “Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente”.

“Nessas horas, não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo”.

Esse texto é de Paulo Coelho e eu o li em sua coluna no G1. Adorei! Com certeza ele não mudou a minha vida, mas me fez pensar como somos facilmente enganados pelas aparências.


A Bela também não confiava na Fera.
Aposto que o Príncipe da Cinderela não teve esse problema...

Não duvidamos da beleza, talvez, porque quando crianças nos ensinaram que os heróis eram belos e fortes e os vilões sempre tinham uma aparência horrível. Fomos programados para identificar o bem e o mau por seu aspecto físico, e nem adianta dizer que agora somos adultos e deveríamos saber que isso não é verdade. Não, não é. Mas, tente fazer o seu cérebro esquecer todos aqueles anos mantendo-o em estado de alerta sempre que você ouvia “Não faça careta! Isso é uma coisa feia que só os meninos(as) maus(ás) fazem”.

Crescemos acreditando na beleza como sinônimo de pureza. E é por esse motivo que relutamos tanto em nos “desfazer” de quaisquer problemas que não tenham uma verruga na ponta do nariz, e assim será até o fim dos tempos.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

4h52



4h52. Esse é o horário que me atormenta. Nas últimas duas semanas, exatamente às 4h52 eu acordo, sem qualquer razão aparente. Bom, no sábado foi às 4h56, mas talvez por ser sábado eu tivesse direito a 4 minutos a mais de sono.

Isso começou há duas semanas, quarta-feira, às 4h52 ele me ligou dizendo que queria me ver. Claro, devia estar bêbado, mas esse era apenas um detalhe, aquele que o encorajava. Dizia que estava se esforçando para não ligar, começou a pedir desculpas. Sua voz era ansiosa, havia muita expectativa, mas talvez fosse um pouco tarde para voltar atrás. Era tarde.

Tentei me concentrar em tudo que estava ouvindo, mas era impossível. Ele falava rápido demais, e por vezes remeteu a uma conversa que tivemos 3 dias antes. Eu havia acabado de acordar e ainda não sabia a importância daquela conversa, às 4h52.

- Fala mais devagar porque eu não estou entendendo.
- Você vai me dizer “acredita!”, aí eu vou dizer que não quero acreditar. E eu vou ter que ir embora, mas tudo bem, eu não tenho que entender, não é?!
- Calma, me diz o que você quer.
- Esquece, desculpa!

Quando se diz “esquece” é porque há algo para não se esquecer. Levantei da cama, acendi a luz na esperança de que aquilo clareasse um pouco a minha memória. Até aquele momento, eu não imaginava que tínhamos algum problema. Sim, nós não concordávamos em tudo, mas aquela discussão sobre “bar, boteco e copo sujo” não se conjectura exatamente como um problema.

- Eu também quero te ver, você sabe disso. Não pode ser amanhã?
- Pode! É que eu vi o seu último torpedo e fiquei com tanta vontade de falar com você, mas eu sei que não deveria, me desculpa. Eu só não queria que você tivesse que trabalhar amanhã, pra eu poder passar o dia inteiro com você...

São 5h15 e até hoje eu não consigo pegar no sono antes do sol nascer. E, talvez, ainda leve algum tempo para compreender que às 4h52 da manhã de uma quarta-feira, eu ouvi mais do que deveria. E por saber tanto, hoje eu não tenho quase nada...


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Felicidade, pode entrar!


Quem foi que disse que só é possível ser feliz quando existe alguém proporcionando isso a você? Sinceramente, eu penso o contrário: quando estamos felizes, dispomos mais da pessoa que somos e, portanto, atraímos pessoas que complementam essa alegria. Em síntese, a felicidade está em nós, mas isso fica mais perceptível quando temos ao lado alguém para exteriorizar.

Eu sei, meio filosófico. Mas eu quis explicar isso porque ultimamente tenho ouvido coisas como: “Quem está provocando esse sorriso, hein?!”; “Nossa, como seus olhos brilham! Tempo que não a vejo assim...”; “Nanynha, aonde você achou essa felicidade toda que eu também vou dar uma passadinha lá!”. Desculpe desapontar, mas esses sorrisos que eu ando distribuindo é mérito todinho meu.



Demorei 25 anos para aprender que é um desperdício mandar embora as oportunidades que batem à minha porta, só porque eu não tenho garantias de que elas ainda estarão lá amanhã. Sempre querendo pisar em terreno firme, preferia viver na retaguarda porquê, sabe se lá quantas lágrimas poderiam me custar se eu ousasse arriscar uma aventura qualquer.

Sempre aconselhei às pessoas viverem o presente, curtir ao máximo tudo de melhor que o momento pudesse oferecer. O problema é que eu nunca confiei na felicidade momentânea. Se não fosse permanente, então, não merecia ser apreciado. E não adiantava tentar argumentar comigo, eu preferia ter minha paz de espírito à ver minha vida desordenada por causa de uma atitude impensada.

Até que exatamente 2 dias antes de completar mais um ano de vida, comecei a revirar umas fotos antigas e fiquei surpresa ao perceber que, em todas elas, meu sorriso era inigualável. Na maioria das fotos, eu ria com tanta vontade que era quase impossível ver os meus olhos porque quando não estavam fechados, estavam inundados... Eu ria de chorar!

Foi quando me dei conta que desde aquelas fotos muita coisa havia mudado: minha vida estava passando muito mais rápido do que eu gostaria. E, simplesmente, ela não esperava por certezas. As dúvidas eram o que eu tinha de mais concreto. Então, duas opções me restavam: assistir minha juventude se despedir de mim ou desfrutar de tudo que ela poderia oferecer. Não dava mais para esperar apenas pelos dias de sol, seria preciso também contemplar a chuva.

Não tem sido fácil adotar essa nova filosofia, mas tem sido notável as diferenças. E se tudo der certo, com certeza vai dar merda! Mas, como diria Lulu Santos:

... A alegria que me dá isso vai sem eu dizer.
E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer.
O que eu ganho e o que eu perco, ninguém precisa saber”.

O máximo que eu posso fazer é estar consciente de que para mergulhar em um mar de rosas será inevitável me ferir em alguns espinhos, mas essa é a única forma de não passar anonimamente pela vida.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

A síndrome do 1/4 de vida


Outro dia, conversando com uma amiga, ela me disse que eu estava enfrentando a crise dos 25. Na hora eu ri, mas dias depois ela me encaminhou esse texto que achei fantástico. Infelizmente, não tinha o nome do autor, então, se alguém souber, só mandar que eu assino.

"Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a), etc.

E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são 'tão divertidas'… E às vezes até lhe incomodam. Você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.

Mas, começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu, e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você. Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.

Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pode lhe fazer tanto mal. Ou, a noite você se lembre e se pergunte porquê não pode conhecer alguém o suficientemente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos, alguns até começam a se casar. Talvez você também, realmente ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado(a) para se comprometer pelo resto da vida.

Os encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário. Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso(a). Você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida. E por mais que ganhar a carreira seja grandioso, você não queria estar competindo nela.

O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…

Então, amanhã teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!

FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NÃO PASSE!*
A vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego…*

Talvez, ajude a alguém a se dar conta de que não está sozinho em meio a tanta confusão…"



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Solteira, sim?!


Eu sempre costumo dizer que difícil não é ficar sozinha (o). Difícil mesmo é namorar.

Ficar sozinha (o) é simples: você vai aonde quer, chega quando quer, bebe o que quer, come quando tem vontade, beija quem quiser, dar para quantos merecer e vai seguindo, fim de semana após fim de semana, sem ter a preocupação de dar satisfação da sua vida. Porque nesse estágio você ainda pode chamar sua vida de sua.

Agora, arrume um namorado (a) e prepare-se para as concessões. É claro que existem inúmeros pontos positivos em um relacionamento. Mas, a verdade é que abdicar das suas preferências, fazer a vontade do outro, suportar as investidas alheias, aturar as discussões tolas que invariavelmente se tornam homéricas, e todas aqueles rituais de um relacionamento é um tanto quanto sacrificante.

Por favor, entenda: não estou dizendo que é melhor ficar solteira. Estou dizendo que é mais simples. E é por ser tão fácil que a solidão vicia. Pessoas que ficam solteiras por muito tempo perdem o interesse ou paciência de encontrar alguém. E quando encontram, estão tão confortáveis às suas regras que simplesmente não conseguem abrir espaço e permitir que outra pessoa compartilhe da sua companhia.

A solidão só incomoda no início. Depois que se aprende a conviver consigo mesmo, ela se torna tão conveniente que você começa a ter medo de se apaixonar.

Esses dias uma amiga terminou um namoro de pouco mais de um ano. Como se não bastasse o sofrimento que ela estava passando por ter que enxergar o fim prematuro do seu “felizes para sempre”, ela teve que engolir a reviravolta do cidadão que em menos de um mês já estava conhecendo outras pessoas, digamos, mais profundamente. Eu nunca estive mais feliz na minha vida do que naquele momento. Por favor, eu não estava me deliciando com a desgraça alheia, longe disso! Eu estava com tanta pena dela que mal conseguia esconder a minha satisfação em não ter que passar por isso, de novo.

Ficar sozinho não é só bom, é necessário. É um tempo exclusivamente seu, para ser destinado ao seu autoconhecimento. Quando você está sozinho pode avaliar melhor o que acha certo e errado, ou que admira e o que critica, o que te faz bem e o que te faz mal, o que você precisa ou não para ser feliz. E, me desculpe a prepotência, mas não existe a menor possibilidade de descobrir isso engatando um namoro em outro.

Eu não acredito que as pessoas possam fazer outras pessoas felizes. Acredito que quando estamos felizes, somos capazes de dividir a nossa alegria com outras pessoas, e essa reciprocidade faz parecer que é a outra pessoa que está nos causando o sentimento. Quando você começa a perceber que é capaz de ser feliz sozinho, fica imaginando um motivo maior para escolher entrar em um relacionamento. É nesse momento que escolher a solidão parece ser a opção mais viável. Parece. Não se engane: carinho e afeto são imprescindíveis a natureza humana tanto quanto comer, beber e respirar.

É impossível passar uma vida inteira sem ter tido pelo menos uma decepção amorosa. Permita-se ter o tempo necessário para se refazer, se perdoar e se livrar dos ressentimentos. Passado, seja forte o suficiente para encarar uma nova paixão. Com o tempo a gente aprende, principalmente, que não é preciso um rótulo para se viver uma história. E que estar solteiro é só um termo que não invalida as suas perspectivas, esperanças, sonhos ou promessas de amor.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cafas: por que não eles?

Ai, os cafajestes. O que seriam das mulheres sem esses seres repugnantes e incrivelmente fascinantes. Sim, os cafajestes. Aqueles que te fazem sofrer, chorar e jurar que você nunca mais se envolverá com ninguém. Aqueles que um dia depois de ter levado você aos céus, a jogará no inferno sem direito a uma breve estadia no purgatório, sem direito a misericórdia.

Eu desconfio que os cafas são tão atraentes porque eles desafiam a nossa natureza competitiva. É muito mais prazeroso dizer que o cafa está no seu pé há semanas do que dizer que aquele carinha fofo não desencana. Obviamente, porque para cada cafa existe, no mínimo, outras duas rivais. Conquistar o cafa é vencer todas elas sem descer do salto agulha.


Você pode até resistir, mas por que faria isso?

Os cafas são predadores perfeitos, sempre prontos para atacar. E o que eu acho mais incrível é que a natureza simplesmente age a favor deles. Cafas são incrivelmente lindos, tem uma voz sedutora, são atenciosos, divertidos, inteligentes. Os cafas ouvem a mulher e lembram dos assuntos conversados posteriormente, só para que ela se sinta confiante. Os cafas sabem como segurar uma mulher, envolvê-la nos braços, aconchegá-la em seu peito. Os cafas ligam no dia seguinte, eles olham nos olhos e sabem o momento exato de beijar. Aliás, os cafas não beijam, eles avançam até um limite tentador para que nós os beijemos.

Confesso que entendi arte que existe em ser um cafa depois que descobri que os homens poderiam ser os melhores amigos de uma mulher. Ah, isso é outra coisa que as pessoas ignoram: eles são fiéis aos seus amigos, mesmo que elas sejam mulheres. Se um cafa tem consideração por você, ele não vai poupá-la de todos os detalhes sórdidos de sua vida, irá apresentá-la a um mundo totalmente obscuro, habitado por mulheres recalcadas. Dizem as más línguas que os cafas foram os responsáveis pela revolta das mulheres que na década de 60 assumiram uma postura feminista diante do mundo, queimando sutiãs em praça pública.


As promessas de um cafa podem revolucionar o mundo!

Por favor, não confunda um cafa com um pegador. Cafas podem ser pegadores, mas os pegadores jamais serão cafas. Pegadores são meros aspirantes: impressionam pelo visual, têm a pegada, mas são broxantes quando abrem a boca. Em geral, pegadores servem para fim de festa e, invariavelmente, recebem telefones errados. Fato!

Eu realmente nunca pude culpar um cafa por falsas promessas. Até porque, depois de anos fazendo parte do convívio deles, acho que já consigo reconhecer os sinais. O que eu costumo dizer é o seguinte: mulheres são iludidas por natureza, é incorrigível essa nossa habilidade de fantasiar finais felizes. Então, pra quê temer o cafa? É mais provável que você se decepcione pelo excesso de expectativa do que pelo moço, propriamente dito.

Se acontecer de um cafa entrar a sua vida, relaxe e curta o momento. O máximo que pode acontecer é você precisar sufocar a saudade com algumas barras de chocolate.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

It is sunny



Talvez, eu devesse me importar com as coisas que realmente fazem diferença.
Falar sobre a crise, corrupção, fome, Influenza A . Discutir temas que ainda são tabus como a homossexualidade, aborto, eutanásia. Refletir a interferência da tecnologia como fator determinante ao comportamento da sociedade em seu modus operandi. Mas, nada disso parece ter a menor relevância para mim.

Existem tantas coisas que me incomodam verdadeiramente, tantas injustiças que me embrulham o estômago e fazem com que eu tenha raiva do meu egoísmo, por pensar só nos meus problemas tão insignificantes diante das dores que afligem o mundo. E nem assim, eu consigo me convencer de que eu não tenho problemas.

Realmente, é difícil entender essa necessidade de olhar para o próprio umbigo. Difícil assimilar a prepotência que carregamos quando achamos que os nossos problemas são os mais complexos de se resolver. E, talvez, sejam mesmo. Afinal, quem quer solução para os seus problemas? Quem quer uma vida plena e feliz, livre de preocupações que invadem a rotina e consomem a sua estranha paz?

Estamos acostumados com o caos. Somos tão íntimos dessa realidade desatinada que ficamos desorientados só de imaginar uma vida tranquila. Somos obrigados a manter a desordem em nossa vida financeira, pessoal ou profissional só para não nos perdermos da rotina.

Não queremos mudanças, por mais que esteja ao nosso alcance, porque com ela não sabemos lidar. Ela nos provoca medo, ansiedade, porque ela não faz promessas. As mudanças chegam faceiras e vão embora quando bem entendem, sem dar quaisquer satisfações, deixando apenas a pergunta: isso já não aconteceu antes?

Que importância tem o mundo para você? Qual é a diferença entre fazer o que tem que ser feito e fazer o melhor se o resultado é sempre o mesmo? Por que se preocupar com o sentimento de alguém se todos estão programados para sorrir?

Estou me acostumando a ver os dias ensolarados. É mais simples mostrar as pessoas o que elas desejam ver e dizer a elas o que querem ouvir, do que entender o que está errado. Tudo é tão artificial que se tornou quase impossível distinguir entre a verdade e a ilusão.

Nos tornamos máquinas, insensíveis à dor, ao desprezo, à indiferença, às tristezas. Deletamos quaisquer vestígios de emoção para parecermos inatingíveis. Parecemos robôs programados para rir mesmo quando somos consumidos pelo desespero, simplesmente, para não mostrar nossa natureza frágil.

Cultuamos o sol porque ele brilha até quando os dias estão nublados. Fazemos dele nosso principal cartão de visita para que ninguém perceba a tempestade que cai. Assim, podemos lavar a alma, com a certeza de que existe um arco-íris para ser contemplado.


sexta-feira, 3 de julho de 2009

O errado pode dar certo



Definitivamente, eu resolvi me desvencilhar do meu sexto sentido. E sabe o que eu espero ganhar com isso? Nada! Aliás, nada do que eu esperaria ganhar caso estivesse atenta aos sinais.

É simples de entender: nos últimos meses, tudo que eu tenho feito é esperar. Espero a pessoa certa, o momento certo, escolher as palavras certas, tomar a decisão certa. O pior é que todas as vezes que minha intuição diz que estou no caminho certo, tudo dá errado. Então, decidi simplesmente fazer tudo errado para ver se alguma coisa dá certo.

E, por incrível que pareça, fazer tudo que não me parece aconselhável tem me deixado particularmente satisfeita. Acho que é porque fazer escolhas que nem sempre parecem ser as melhores, muitas vezes terminam de um jeito muito melhor do que se espera, exatamente por não haver espera.

É engraçado como simplesmente ignoramos a intuição quando queremos muito que algo aconteça. Fingimos ouvi-la para continuarmos motivados com a nossa escolha, quando na verdade estamos atentos apenas às expectativas.

Criamos uma fantasia tão confiável que é quase possível tocá-la. E sempre que as coisas começam a indicar que o final não será tão lindo como você acredita, chegam as desculpas: “não sei explicar, mas algo dentro de mim me diz que vai dar certo”.

Sério, deveríamos ser equipadas por sirenes que disparariam todas as vezes em que falássemos um absurdo desses. Mas deveria ser um alerta tão ensurdecedor que seria capaz de causar um abalo sísmico. E ainda, assim, eu desconfio que arrumaríamos uma desculpa para o alarme ter disparado em uma situação tão segura.

Quando queremos acreditar em alguma coisa, simplesmente, acreditamos. Não adianta pedir conselho, buscar sinais, farejar rastros. Mesmo diante de um holofote, você ainda ignorará completamente todas as evidências e vai seguir determinada, até que você se cansar com uma frustração após a outra.

E foi depois de tantas investidas mal-sucedidas que optei apenas por fazer o que tenho vontade, sem ficar conjecturando as consequencias. O engraçado é que em alguns momentos, a certeza de que estou fazendo a escolha errada é a minha maior motivação para continuar, como se fosse uma forma de provar a mim mesma que, na verdade, era eu quem estava errada.

Até quando isso vai funcionar, eu não tenho a menor idéia, mas às vezes tudo o que se tem a perder é tão pouco perto do que se pode ganhar que vale a pena o risco. Porque se parar para pensar, nada é certo nessa vida,. Certo mesmo é o presente, a vontade que explode, o desejo que consome, o momento que não espera... É viver cada dia ao invés de esperar pelos dias em que tudo dará certo.

Talvez, seja mesmo o errado aquilo que nos falta para que as coisas comecem a funcionar certo para a gente.


 
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